sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Halal ou Haram eis a Questão !!! " Lícito ou Ilícito eis a Questão " !!!

HALÁL OU HARÁM, EIS A QUESTÃO!

Halál é uma palavra Al-Qur’ánica que

significa lícito, legal ou permitido. No que se

refere à comida, é o padrão Islâmico dietético,

segundo o prescrito na Shari‘ah (Lei

Isslámica). As linhas gerais do Al-Qur’án

ditam que todas as comidas são Halál, excepto

aquelas que são especificamente mencionadas

como Harám, isto é, ilícitas, ilegais ou

proibidas.

O Sagrado Al-Qur’án diz:

Ó, crentes! Comei dos alimentos puros

que providenciamos por sustento e agradecei

a ALLAH se for só a Ele que adorais.”

Capítulo 2, Versículo 172

Os alimentos proibidos são

especificamente mencionadas no Sagrado Al-

Qur’án nos versículos que se seguem:

Ele somente proibiu-vos o animal

encontrado morto, o sangue, a carne de suíno

e tudo que tenha sido degolado sob a

invocação de outro nome senão o de Allah...”

Capítulo 2, Versículo 173

São-vos proibidos o animal morto

(que morreu de morte natural), o sangue, a

carne de porco, os animais que foram

degolados sob a invocação de outro nome

fora de ALLAH, os animais estrangulados até

à morte, os mortos por espancamento, os

mortos devido à queda ou dilacerados e

mortos por chifres, os devorados

(despedaçados) por um animal carnívoro,

excepto os que são degolados ritualmente

ainda com vida. São-vos proibidos também

os animais sacrificados para os ídolos.”

Capítulo 5, Versículo 3

O consumo de álcool e produtos tóxicos

é proibido de acordo com o seguinte

ensinamento:

Ó crentes! A bebida alcoólica e os

jogos de azar, os ídolos e as setas de

adivinhação, são uma abominação do

trabalho de Satanás. Evitai-os para que

possais ser bem sucedidos.”

Capítulo 5, Versículo 90

A carne é o produto estritamente mais

regulado no grupo dos alimentos. Não somente

o sangue, a carne de porco e a carne de animais

mortos ou imolados são fortemente proibidos

aos olhos do ALLAH, exige-se também que

os animais Halál sejam abatidos pronunciando

o nome de ALLAH na altura do abate, tal como

o atestam os versículos que se seguem:

Comei dos alimentos sobre os quais o

nome de ALLAH tenha sido pronunciado se

acreditais nas Suas revelações.

Capítulo 6, Versículo 118

E não comeis dos alimentos sobre os

quais o nome do ALLAH não tenha sido

mencionado porque isso é uma abominação...

os demónios inspiram os seus amigos para

que discutam convosco. Mas se lhes

obedecerdes, por certo sereis idólatras.”

Capítulo 6, Versículo 121

Do mesmo modo, é permitido o

consumo pelos Muçulmanos, de todos os

alimentos puros e limpos. A Jurisprudência

Isslámica contém certos princípios descritos em

Hadices para determinar se um certo animal

ou ave é lícito ou ilícito.

Por: Maulana Nazir Lunat

Sautul Isslám

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edição n.º 17

Na terminologia de Fiqh o termo “nãohalál”,

ao contrário de “Halál”, pretende

indicar que no sistema “Halál” e “não-halál”

do Shari’ah existem graus de contaminação e

não-contaminação, do mesmo modo que

existem níveis de legalidade e ilegalidade.

A seguir apresenta-se a definição de cada

um dos termos técnicos de Fiqh que se referem

aos graus de comida Halál e não-halál:

Halál (no contexto da comida) referese

aos alimentos que são positivamente legais

para serem consumidos pelo Muçulmano.

Harám – é o oposto do Halál e por isso

refere-se aos alimentos que são positivamente

ilegais e absolutamente proibidos.

Makruh – refere-se aos alimentos que

são abomináveis. Estes são classificados em

duas categorias:

Makruh Tanzihi – refere-se àquilo que

é ligeiramente reprovado. Estes estão próximos

do Halál.

Makruh Tahrimi – refere-se àquilo que

é severamente reprovado. Estes estão próximos

do Harám.

Mubáh – refere-se aos alimentos

neutros ou indiferentes, que podem ser

consumidos ou evitados; “Ibáhat

(permissibilidade, legalização) é o princípio

básico de todas as questões e coisas que o

Shari’ah não proibiu nem condenou.

Mashkuq existe uma área cinzenta

entre o claramente legal e o claramente ilegal.

Esta é a área do que “é duvidoso”. O espírito

Isslámico ordena aos Muçulmanos a evitarem

coisas duvidosas de forma a manterem-se

longe do que é ilegal. Rassulullah S.A.W. disse:

Halál é claro e o Harám é claro. Entre os

dois existem questões duvidosas sobre as quais

as pessoas não sabem se são Halál ou Harám.

Quem os evita para salvaguardar a sua religião

(Din) e a sua honra está salvo, enquanto se

alguém se satisfaz nele pode estar a satisfazerse

no Harám...”

O Isslám é uma religião compreensiva

que guia os Muçulmanos através de um

conjunto de regras que orientam todas as

facetas da vida. Uma vez que a comida é uma

parte importante do dia a dia, as leis sobre a

comida revestem-se de especial significado.

A filosofia Isslámica sustenta que a

comida consumida pelo Homem afecta não

só a sua constituição física, como também o

seu carácter moral e o estado espiritual.

HALÁL E HARÁM POR

CATEGORIAS

As comidas lícitas e ilícitas podem ser

agrupadas em categorias:

O Reino Animal

Este inclui animais terrestres e peixes

(com barbatanas e guelras).

Todos os peixes do mar e águas fluviais

são permitidos. Há porém, diferença de opinião

entre os Juristas sobre a permissão de outros

frutos do mar, por exemplo, camarão,

caranguejo, etc. Não há nenhuma exigência

no abate de animais aquáticos.

Entre os animais terrestres, o porco é

especificamente proibidos, bem como os

animais carnívoros, certas aves e outros

animais.

Os produtos derivados (ovos, leite) dos

animais Halál, enquanto vivos são permitidos

para os Muçulmanos, salvo se houver

contaminação por qualquer ingrediente

proibido nos produtos inicialmente Halál, por

exemplo, o uso de pepsina ou coalheira animal

na indústria do queijo.

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Sautul Isslám edição n.º 17

O Reino Vegetal

Todos os produtos derivados de plantas

são legais para o consumo do Muçulmano,

excepto quando forem fermentados até

ficarem alcoólicas ou quando conterem tóxicos

ou ingredientes prejudiciais aos humanos.

O Reino Mineral

Geralmente as substâncias derivadas de

fontes minerais ou petrolíferas são Halál

excepto aquelas que podem tornar-se tóxicas

ou aquelas que constituem perigo para a saúde.

COMPREEENSÃO DA NATUREZA

DOS ANIMAIS HALÁL E HARÁM

Todas as vidas , tanto as dos animais

assim como as dos humanos pertencem a

ALLAH. Contudo, os animais foram criados

para o benefício do Homem, pelo que este

deve tratá-los adequadamente. É com esta base

que o Isslám considera determinados animais

como sendo alimento para o Homem e

prescreve como a respectiva carne pode ser

tornada pura e lícita (Halál) para o consumo.

O Al-Qur’án ordena à Humanidade a

consumir o que é Halál, criado por ALLAH

na terra e a não obedecer os passos do satanás.

Por isso, a moderação é a melhor forma,

porquanto não se deve comer tudo

indiscriminadamente, nem abster-se de comer

o que é bom e lícito, como fazem os ascetas.

As categorias que se seguem, incluindo

seus derivados ou por si contaminados, são

declaradas ilícitas (Harám):

Carne putrefacta ou animais mortos

(morte natural). Aqui estão incluídos os mortos

por estrangulamento, por embate violento, por

queda de cabeça, feridos até à morte ou

devorados por outro animal selvagem. A carne

putrefacta e animais mortos são impróprios

para o consumo humano, pois o processo de

decomposição conduz à formação de químicos

prejudiciais ao Ser Humano.

Sangue fresco ou coagulado. O

consumo de sangue seja de que animal for é

Harám, pois este contém organismos

causadores de várias doenças. Tais organismos

circulam no sangue sem que o corpo manifeste

qualquer sintoma da doença, daí que seja

prejudicial consumir sangue. Igualmente, a

carne que contenha muito sangue constitui um

perigo potencial de contracção de doenças

causadas por organismos contidos no sangue.

O sangue tirado dos animais contém bactérias

prejudiciais, produtos de metabolismo e

toxinas. Daí que o método a usar no abate do

animal para consumo humano deve permitir o

dreno total do sangue nele existente. Um dos

efeitos prejudiciais no consumo de sangue e

da carne rica em sangue é psicológico, pois tal

pode induzir a uma psicose carnívora e, por

consequência, a um comportamento

antropófago e violento.

Porco e seus derivados. Serve como

vector para os vermes patogénicos penetrarem

no corpo humano. As infecções causadas pela

Traquinela Spiralis e Ténia Solium são

comuns. O ácido gorduroso, a composição da

gordura de porco, é incompatível com a

gordura humana e sistemas bioquímicos. A

carne do porco é expressamente proibida e

descrita como imunda e impura, pois o porco

vive na imundície, dela se alimentando, pelo

que o Isslám nos proíbe tudo o que seja sujo e

não higiénico.

Sautul Isslám

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edição n.º 17

No caso da carne suína, não é apenas o

Al-Qur’an que impõe a proibição no seu

consumo mas também a Bíblia:

Também o porco, porque tem unhas

fendidas e a fenda das unhas divide em duas,

mas não remói, este vos será imundo. Da sua

carne não comereis, nem tocareis no seu

cadáver, estes vos serão imundos.

Levítico 11, Versículos 7 e 8

Animais degolados ou abatidos

pronunciando outros nomes fora de ALLAH.

Animais degolados ou abatidos sem o

pronunciamento do nome de ALLAH.

Animais mortos de forma que seu

sangue não tenha saído na totalidade. Os

animais que morrem por causas naturais são

universalmente considerados como ilícitos ou

impróprios para o consumo humano. Os

animais podem também morrer devido a

doenças ou ao comer plantas venenosas, sendo

por isso impensável considerar a carne desse

tipo de animais para alimentação.

Animais que utilizam dentes ou garras

para caçar e devorar as suas presas, como

leões, leopardos, ursos, lobos, cães ou gatos

são também todos Harám.

Há ainda os que mesmo sendo

herbívoros, como é o caso do burro, da mula

e do elefantes, são Harám;

Aves com unhas aguçadas que

recorrem às suas garras para caçar ou rasgar

as suas presas (aves de rapina), como falcões,

águias, mochos, abutres, etc. As aves que não

recorrem às suas garras para caçar e que

alimentam-se de grãos, como por exemplo, a

galinha, o pato, o pombo, o peru ou o avestruz,

são Halál.

Os que não têm sangue, como mosca,

aranha, escorpião, formiga, piolho, gafanhoto,

etc.). Exceptuando o gafanhoto que é Halál,

todos os outros são Harám.

Os que têm sangue, mas que não é

corrente (cobra, lagartixa, osga, etc.), todos

eles são Harám.

Os que têm sangue corrente, como o

rato e a toupeira, que escavam a terra vivendo

debaixo dela, esses são Harám. Deste grupo

exceptua-se o coelho que é Halál.

Os animais que têm sangue corrente e

que se alimentam de ervas e grãos, não rasgam

com os seus dentes nem caçam, sejam eles

domésticos ou selvagens, são Halál; por

exemplo, o cabrito, o camelo, o boi, o carneiro,

o búfalo, a gazela.

PARTES DE ANIMAIS ABATIDOS

QUE NÃO SE PODEM CONSUMIR

Nos termos de Shari´ah, é Makruh

Tahrimi consumir as seguintes partes de

animais ou aves, mesmo que estes sejam Halál,

e devem ser completamente evitadas:

Órgãos sexuais do macho e da fêmea;

Os testículos;

A bexiga;

A vesícula biliar (isto inclui a bílis);

O sangue dum animal ou ave abatido

que foi derramado;

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Sautul Isslám edição n.º 17

O gânglio (i.é, qualquer pedaço rijo na

parte tendinosa). Um pedaço de carne

proveniente de doença entre a pele e a carne.

Um quisto como inchaço do tendão. (Isto inclui

as glândulas que tenham se tornado espessas;

a medula espinal, veias e nervos que se

tornaram rijos, e também o tecido ósseo rígido

ligado ao osso).

É Makruh consumir a carne de animais

que habitualmente se alimentam de sujidade

sem que antes sejam mantidos num local

fechado (de “quarentena”) durante algum

tempo e alimentá-los com produtos limpos e

sãos, limitando-os deste modo o consumo de

sujidade antes de serem degolados.

O período de “quarentena”

recomendável é de três dias para a galinha,

quatro para o cabrito e dez para o boi ou o

camelo.

DA CONSCIÊNCIA ENTRE

O HALÁL E O HARÁM

A falta de cuidado no consumo de

alimentos duvidosos ou Harám é um sinal de

um Imán (fé) “doente”. Se o estado de

negligência sobre o que se consome perdurar,

futuramente o Halál/Harám serão

eventualmente vistos como assuntos triviais,

fazendo com que o Imán “sufoque” e “morra”.

A julgar pelo crescente número de

Muçulmanos que comem fora em casas de

pastos ou em outras lojas de comidas rápidas,

parece que esta tendência é crescente, em

proporções alarmantes no seio dos

Muçulmanos.

O Harám está-se a tornar tão comum e

corrente entre as pessoas, que dificilmente

ficam chocadas ou perturbadas, quando algo

é descoberto como sendo Harám, embora

possam estar a consumir tal coisa há muito

tempo. Quase que nem pestanejamos. Nem o

remorso ou um pouco de sentimento de culpa

toca o nosso coração. Este é um sinal claro de

um coração dessensibilizado.

No passado, as pessoas podiam não ser

muito escolarizadas ou informadas como

parece hoje, mas estavam conscientes das

questões do Halál/Harám. A estes assuntos

era lhes dedicada enorme atenção, mesmo as

crianças pequenas eram avisadas (ensinadas)

a observar para sempre em suas mentes e

corações os preceitos Isslâmicos.

E porque as pessoas se tornaram tão

desleixadas no que respeita ao Harám?

Parte da resposta pode ser encontrada

numa atitude cada vez mais vulgar e num

equívoco que prevalece: pensa-se que desde

que a pessoa não saiba que determinada coisa

é Harám, consumi-la não o fará mal. Tal forma

de pensar está totalmente errada.

Os efeitos do Harám permanecerão, não

importa se o produto foi consumido com

conhecimento ou sem conhecimento. É como

consumir veneno. Somente um apoucado de

inteligência poderá acreditar que a falta de

conhecimento sobre uma substância venenosa

irá neutralizar o efeito do veneno. O veneno é

veneno e assim permanecerá independentemente

do conhecimento ou ignorância sobre

os seus efeitos: irá actuar, matar ou causar

sérios danos.

Com as comidas Harám é a mesma

coisa. Matam espiritualmente ou causam sérios

danos espirituais ao consumidor.

Sautul Isslám

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edição n.º 17

A ORIGEM DO PROBLEMA

De entre a longa lista de comidas

duvidosas e Harám, os produtos à base de

carnes estão em primeiro lugar.

Tais produtos, nas suas variadas formas,

são preparados e vendidos em casas de

comidas rápidas em todo o lado sob o disfarce

de “Halál”.

Os certificados Halál duvidosos são

exibidos para os Muçulmanos desatentos. Estes

ficam satisfeitos com esta segurança duvidosa,

compram e consomem sem hesitações. Pior

ainda, mesmo as suas famílias, inocentes estão

expostas àquela situação. Tal prática é

prenúncio de mal-estar para o futuro do

Ummah Muçulmano.

A maior preocupação é o número cada

vez mais crescente de casas de pastos não-

Muçulmanas, mas que ostentam o sinal Halál.

Várias vezes têm sido alertados os

Muçulmanos para tal situação, mas

infelizmente parece que tais alertas caiem em

ouvidos de mercador.

Os doces e comidas enlatadas não devem

ser consumidos sem, pelo menos, verificar os

seus ingredientes. Quando houver dúvida sobre

algum produto deve-se, primeiro, esclarecer a

questão junto dos Ulamás.

Alguma vez ao comer no MacDonalds

ou no Chicken Licken, ou ao fazer compras

no Shoprite ou no Pick’n Pay já reparou nos

rótulos da comida que compra? Ou já

questionou a carne do seu talho local? Tem a

certeza de que tais produtos são o que dizem

ser - Halál? Já reparou na diferença dos rótulos

que dizem Halál dos produtos processados?

Serão esses rótulos uma garantia de que os

produtos são de facto Halál? Já se sentiu

confundido com a variedade de certificados e

logos que clamam pela autenticidade Halál?

Conhece os padrões desses rótulos? Qual é a

eficiência do seu processo de monitoria ou será

a instituição certificadora suficientemente

competente para ser uma autoridade na

certificação do produto?

É tendo em vista este facto que o Isslám

tem sempre demonstrado grande precaução

sobre o que quer que seja consumido. Nada

deve ser consumido sem ter analisado

cuidadosamente a sua fonte e ingredientes.

Apesar de os fabricantes, em muitos países,

serem forçados por lei a revelar os ingredientes

de comidas processadas, ainda são capazes de

camuflar a verdade por detrás da linguagem

científica e terminologias complicadas.

O consumidor Muçulmano menos

desconfiado, ditosamente desprevenido deste

facto, consome com prazer o produto que pode

conter um ingrediente Harám, tal como a

banha de porco ou certos emulsionantes, sem

se aperceber de que está a prejudicar-se.

ALGUNS FACTOS SOCIAIS

Hoje em dia, nota-se em nossas urbes e

não só, o uso abusivo e indiscriminado do

termo Halál em quiosques, bares, restaurantes,

etc.

É questionável se os que escrevem essa

palavra sabem ou não o seu real significado, o

seu alcance, bem como as suas implicações.

É frequente o seu uso em locais

incompatíveis com o significado da própria

palavra, como por exemplo em locais onde se

servem bebidas alcoólicas, se consomem

carnes impróprias para os crentes Muçulmanos

e onde se praticam actos devassos.

Há relativamente pouco tempo foi

inserido num dos jornais de grande tiragem

31

Sautul Isslám edição n.º 17

da praça, um anúncio relativo à vinda de um

músico da Índia, e sobre o concerto que iria

ter lugar na vizinha África do Sul. No mesmo

anúncio, para além dos preços para o referido

concerto, constava: “Jantar Halál”. Mas será

que o Halál está confinado apenas à refeição?

Será que o concerto em si era Halál? Isto é

como procurar uma refeição Halál que

entretanto é regada com cerveja ou vinho. Aí

já não se quer saber se o que vem a seguir

também é Halál.

Quer parecer que muitos dos que fazem

uso deste termo devem pensar que se trata de

um rótulo ou marca comercial.

O conceito Halál não se restringe apenas

à comida e à bebida, mas também ao vestuário,

ao negócio, à adoração às relações sexuais,

enfim, à toda actividade quotidiana.

Cada muçulmano quando adquire

comida ou carne, deve investigar a sua

proveniência, bem como a sua composição,

para aferir se o que está comprando é Halál

ou não. O Muçulmano deve ser muito

cuidadoso na aquisição de produtos

alimentares em estabelecimentos, devendo

antes ler os rótulos para saber quais os

ingredientes usados no seu fabrico, pois por

vezes um único ingrediente não-Halál, torna

todo o produto Harám. Por exemplo, as

bolachas, os bolos, as sopas, os sorvetes, os

doces, os chocolates, etc., não se devem

comprar, nem se devem comercializar sem

antes se determinar os seus ingredientes.

Infelizmente entre nós, há alguns

Muçulmanos desleixados, atraídos pelo

aparente brilho social dos outros, a ponto de

os transformarem em seus ídolos, assimilando

os seus hábitos e costumes, muitas vezes

bizarros, tudo fazendo para não os contrariar.

E se alguma prática isslámica faz parte dos

hábitos desses ídolos, ficam animados e

satisfeitos, mas se tal prática contraria os

ensinamentos isslámicos, tentam sempre

encontrar alguma forma de interpretação ou

harmonização com o único fito de agradar a

esses seus patrões.

Para esses, o Halál é o que foi

decretado Halál pelos outros e o Harám é o

que foi decretado Harám pelos outros.

Esqueceram-se que o Isslám é a palavra de

ALLAH, sendo uma palavra completa, para

ser seguida.

Portanto, o Muçulmano não só

deve abster-se do Harám, mas também das

coisas duvidosas, e cada um deve conhecer as

coisas Harám para que assim se possa abster.

MALEFÍCIOS DO HARÁM

O Harám é espiritual e físicamente

prejudicial. ALLAH Ta’ ala, na Sua infinita

Bondade e Graça para com os Seus servos,

proibiu o consumo de Harám devido aos seus

terríveis efeitos no corpo e alma do Homem.

O Harám está poluído e contaminado.

Surge e desenvolve-se da imundície. A sua

composição é sobretudo de imundície. Isto

causa sérios danos aos órgãos, tecidos e outras

partes do corpo. A saúde humana é atingida e

vulnerável a doenças. Assim, o corpo é sujeito

a tormento, dor, sofrimento e agonia. O trauma

mental resultante dessa situação é uma fonte

adicional de angústia.

Para além disso, a doença, no mundo

actual, é uma calamidade; é muito caro ficarse

doente hoje em dia. Os custos médicos são

elevados e proibitivos e é por si só um assunto

doloroso.

Sautul Isslám

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edição n.º 17

A ABSTINÊNCIA É A MEDIDA

DE UMA PESSOA SENSÍVEL

Face ao que foi descrito, por um lado, é

melhor e sensato praticar um pouco a restrição

e abstinência do Harám e comidas duvidosas,

poupando-se neste caso a desastres físicos e

espirituais.

Por outro, uma atitude descuidada sobre

este assunto – comer sem cuidado – as suas

consequências manifestar-se-ão tarde ou cedo.

Uma pessoa inteligente e sensível optará

por uma atitude de precaução e abstinência

quando for necessário. Refrear os desejos do

coração e as vontades do estômago é o segredo

de uma pessoa íntegra e a forma de ser dos

Muçulmanos devotos.

O CUMPRIMENTO DAS LEIS

ESTABELECIDAS POR ALLAH

Os princípios básicos sobre a lei dos

alimentos são mencionados no Al-Qur’án. As

leis sobre alimentos são explicadas e postas

em prática através do Sunnah (a vida, acções

e ensinamentos de Rassulullah S.A.W. e suas

ilustrações pelos Sahábas R.A.), segundo

registos em Hadices. Estas leis são

rigorosamente observadas pelos Muçulmanos,

independentemente da etnia e origem

geográfica.

A aplicabilidade das leis se enquadra em

vários contextos, de entre os quais salientam-se:

O consumo de carne putrefacta

e animais mortos

É geralmente reconhecido que comer

carne putrefacta é ofensivo para a dignidade

humana e nenhuma pessoa sã a consome, mas

a carne de animais mortos não é fora do

comum nos países ocidentais.

Um certo número de animais morre de

choque antes de serem devidamente abatidos.

A carne de tais animais não seria apropriada

para o consumo dos Muçulmanos. Por isso, é

necessário que haja uma monitorização

adequada e supervisão cerrada pelos

Muçulmanos nos matadouros.

Abate adequado

Existem requisitos rigorosos a obedecer

para o abate de animais:

a) O animal deve ser da categoria Halál.

b) O animal deve ser abatido por um

Muçulmano.

c) O nome de Allah deve ser

pronunciado no momento do abate;

d) O abate deve ser feito cortando o

pescoço num certo ponto, abaixo da glote e a

base do pescoço, de modo que o animal tenha

morte rápida. O esófago deve ser cortado

juntamente com a veia jugular e a artéria

carótida. A corda espinal não deve ser cortada

e nem a cabeça deve ser cortada

completamente.

e) Existem outras condições que também

devem ser observadas. Estas incluem dar um

tratamento adequado ao animal, o uso de uma

faca bem afiada, etc. Estas condições garantem

que haja um bom tratamento ao animal antes,

durante e depois do abate.

A partir do exposto está claro que ambos

a Fé e o exacto método são condições

essenciais para o abate Isslámico de animais

correctamente.

A obrigação de pronunciar o nome de

ALLAH antes de degolar um animal serve para

enfatizar a santidade da vida e o facto de que

toda a vida pertence a ALLAH.

33

Sautul Isslám edição n.º 17

Se um Muçulmano omitir

intencionalmente o pronunciamento do nome

de ALLAH no abate do animal, será

considerado Harám mesmo se as veias e

artérias exigidas tiverem sido cortadas

(Capítulo 6, Versículo 121 anteriormente

mencionado).

Contudo, se o abatedor tiver tido a

intenção de mencionar o nome de ALLAH,

mas devido ao esquecimento tiver omitido, o

animal será, neste caso Halál.

Pronunciar o Tassmiyah ou apenas

BISSMILLAH’também se traduz em

sentimento de carinho, compaixão e serve para

prevenir a crueldade.

Métodos modernos de

morte por choque

Ao contrário dos métodos envolvendo

choques eléctricos ou mecânicos, o método

Isslámico é sem dúvidas o melhor, mais digno

e mais eficiente no abate de animais para

consumo.

Produz morte devido á rápida perda de

sangue, elimina a dor e permite que o animal

sangre totalmente. A história dos matadouros

eléctricos e mecânicos prova claramente que

depois de mais de meio século de experiências,

não há um único método de morte por choque

que pode ser considerado “digno” para os

animais ou que produza carne da qual o

máximo possível de sangue tenha sido extraído.

O único beneficiário do abate eléctrico ou

mecânico de animais é a indústria de carnes.

Estes métodos proporcionam uma alta

produtividade no processamento de carnes.

Usando estes métodos, uma larga quantidade

de animais pode ser abatida num determinado

tempo e as vantagens económicas são dessa

forma muito maiores.

Tem sido no interesse dos

estabelecimentos comerciais a aplicação de

métodos que envolvem o abate por choque

como uma maneira de impedir que o animal

fira os abatedores.

Muitas vezes, o valor comercial é bem

sucedido em conseguir passar a legislação para

apoiar e fazer vencer aqueles métodos.

Sendo o Isslám uma religião viável para

todos os tempos, questões contemporâneas são

revistas caso a caso pelos Juristas Isslámicos.

Portanto, dados os constrangimentos

apresentados, alguns métodos de choque têm

sido permitidos.

Os matadouros que implementam os

métodos de choque necessitam de ser

rigorosamente monitorados, visto que alguns

animais morrem depois do choque e antes do

abate (ou por fraqueza ou por atraso no abate

depois de sofrerem o choque, ou devido à

contundência do aparelho de choque). Isto

torna o animal Harám.

Mais ainda, se não pode ser certificado

se o animal morreu antes ou depois do abate,

a carne tornar-se-á duvidosa. Será, portanto,

não permitida para o consumo dos

Muçulmanos.

Abate mecânico

Desde que as condições básicas para o

abate Isslâmico, anteriormente descritas, sejam

adequadamente obedecidas, a legalidade do

abate mecânico pode ser considerada.

Mais ainda, o operador da máquina e a

pessoa que manuseia as aves no local do abate

deve ser Muçulmana e o nome de ALLAH

deve ser pronunciado no abate de cada ave (o

pronunciamento gravado é totalmente

Sautul Isslám

34

edição n.º 17

incorrecto). Todas as veias e artérias devem

ser devidamente cortadas para permitir que o

animal sangre total e adequadamente.

Apesar deste método não estar de acordo

com o Sunnah, pode porém ser aceitável se as

condições mencionadas forem cumpridas.

Suíno

Carne de porco, banha ou qualquer

produto ou ingrediente derivado, são

categoricamente proibidos para o consumo do

Muçulmano. Todas as possibilidades de

contaminação a partir da carne de porco para

os produtos Halál devem ser evitadas

completamente.

De facto, no Isslám, a proibição vai para

além do consumo; por exemplo, um

Muçulmano não deve comprar, vender,

transportar, abater ou tirar benefícios, de forma

alguma, de suíno ou outros meios Harám.

Sangue

O sangue que se derrama (em líquido)

não é geralmente vendido nos mercados ou

consumido, mas os produtos que são feitos a

partir do sangue e seus ingredientes são.

Existe uma concordância geral entre os

estudiosos religiosos de que qualquer alimento

obtido a partir do sangue é ilícito para os

Muçulmanos.

Álcool e outros tóxicos

As bebidas alcoólicas, tais como o vinho,

a cerveja e as bebidas espirituais são

estritamente proibidas. Os alimentos que

contêm quantidades de álcool, por menores

que sejam, são também proibidos pois, tais

alimentos, por definição, tornam-se impuros.

As drogas e outros tóxicos que afectam a

mente, saúde e o desempenho em geral são

também proibidos. Os tóxicos são

considerados prejudiciais para o sistema

nervoso por afectarem os sentidos e

discernimento humanos, o que conduz a

problemas sociais e familiares e em muitos

casos à morte. O consumo directo, ou

misturado com alimentos, destes produtos são

completamente ilícitos.

Aditivos, produtos derivados

e constituintes extraídos

O princípio é de que se um aditivo ou

extracto é derivado de uma fonte Halál, então

este também será Halál, e poderá ser

adicionado às misturas de comidas Halál sem

afectar de forma alguma o produto final.

Porém, se o aditivo for derivado de uma

fonte não-Halál, então este também não será

Halál, e irá contaminar o produto final se for

adicionado à misturas de comidas. Os aditivos

Harám contaminam o produto final e tornam

o alimento ilícito para o consumo do

Muçulmano.

Os aditivos, temperos e outros de origem

não animal e não alcoólica são unanimamente

aceites.

Higiene

As comidas Isslámicas estão baseadas na

limpeza, saneamento e pureza. Todos os

utensílios devem estar limpos e livres de

contaminação de quaisquer substâncias ilícitas

e impuras.

É nosso Duá fervente de que

ALLAH faça deste sonho uma realidade

e guie a todos nós para que nos

empenhamos ao serviço da Humanidade

e que Ele seja agradado por todos nós.

Ámeen.
FONTE : SAUTUL ISLAM - MOÇAMBIQUE